Eu nasci, no último dia do ano, o médico deu tapinha na minha bunda, e eu chorei. Um bebê frágil e amarelo. Um franguinho com pouco mais de três quilos. Conheci minha mãe, me alimentaram e me recuperei da tal fragilidade física. Nunca fui uma criança muito fácil de lidar, mas existiam piores do que eu. Meu raciocínio não se desenvolveu muito rápido. Quem sabe tenha sido pelo fato de eu sofrido queimaduras de primeiro e segundo graus, em menos de 5 anos de existência. Ainda sou lerdo até os dias de hoje, mesmo sabendo que tenho inteligência considerável. Fui levado ao médio e fizeram exames em mim, com suspeita de eu ter algum distúrbio mental, já que colecionava caixas de fósforo, ao invés de brincar com brinquedos normais. Nada foi detectado. Joguei bola. Pulei muros. Esfolei o dedão do pé. Tive muitos carrinhos e fazia meus bonecos de massa. Roubei doces na vendinha. Soltei pipa. Brinquei com meus piões. Tazos. Ioiôs. Chimbras (que equivalem a bolas de gude). Joguei Nitendo. Assisti a muitos desenhos. E fui viciado em Cavaleiros do Zodíaco. Me destaquei com meus desenhos. E cheguei a pensar que teria algum futuro com isso. Sei lá, talvez me rendessem algum dinheiro e reconhecimento. Talvez. Passei de ano sem precisar estudar com muito empenho, no geral, foi assim. E ainda cobrava quando queriam meus serviços para trabalhos escolares. Soquei muitos moleques da escola e tirei sangue de muitos narizes. Desrespeitei professores e matei muitas aulas chatas. Ganhei muitas suspensões e fui expulso diversas vezes. Devo ter estudado em uns quatro colégios diferentes. Não tive muita aptidão para esportes, principalmente para o futebol. Apanhei. Nunca do meu pai. Sim da minha mãe (e dos que não conseguia bater). Mas sempre tive preferência por ela, em disparado! Na verdade. Nem sabia como era ter um pai. De verdade. Presente. Nunca sofri por isso. Cresci, cheguei aos 190 centímetros de altura. Fui um adolescente idiota, como são todos os adolescentes. Por sorte, não fui espinhento. Me defini por música, amigos, cabelo e atitudes (ou pela falta delas).
Agora, não tenho mais 7 anos, nem 10, nem 15, nem 18... Tenho 20, e a melhor época passou. Me apresentaram a vida cruel, injusta, difícil... e eu morri. Amigos? Aventuras? Perigos? Despreocupação? Nada é o mesmo.
Estou sem grandes expectativas. Sou pressionado e cobrado a todo o tempo. Entediado. Sem grandes compromissos. Rabugento e questionador. Buscando por alguma paz. À espera de ser ressuscitado.
(Este é um pouco do meu único-irmão-porre-mais-novo-preferido, por minhas palavras de irmã chata e briguenta.)
*É o que ele mesmo diz.