sábado, 8 de novembro de 2008

pelo que sei, lugar de lixo não é no meio da rua

Se tem uma coisa que me deixa puta, é quando eu vejo algum idiota jogando lixo no meio da rua. Ontem mesmo, vi um ser jogando lixo pela janela do ônibus. Aí você me diz: oh, grande coisa, Jaqueline... Pois é, só estou falando de ontem, porque foi daí que me deu vontade de desabafar (?) Tipo, quase todos os dias eu vejo gente, que se diz gente, jogando lixo pelas janelas de ônibus, de carros, de carroças, de bicicletas, de jeguinhos, de aviões... Ok, de avião ainda não presenciei, mas daqui uns dias estou vendo uma jaca vinda do céu, se espatifando no chão...
O que é que adianta, a prefeitura investir na limpeza da cidade, se idiotas insistem em mantê-la como se fosse uma pocilga? Não há nada que justifique esse tipo de atitude... Falta de educação? De instrução? Pobreza? Desemprego? Analfabetismo? Fome? Afinal, hoje em dia, pra tudo se tem uma justificativa que esteja relacionada às mazelas sociais. Pra mim, é falta de noção. Grande parte das pessoas, tem acesso à informação, não se admite que você beba uma cerveja, e logo em seguida jogue a lata no meio do asfalto, Isso é um péssimo costume que certas pessoas têm, um hábito que é adotado desde cedo... Um moleque que está comendo pipoca no colo da mãe, pergunta onde joga a embalagem e ela diz “Sacode pela janela, bebê!”, vai crescer com isso, a não ser que tome consciência do que não se deve fazer.
Não estou querendo bancar a defensora do meio ambiente, não estou querendo que as pessoas saiam abraçando árvores por aí. Na verdade, não estou querendo nada, mesmo se quisesse, não mudaria grande coisa. Tá, eu quero dizer que dá nojinho de pessoas que jogam papel, plástico, roupas, camisinhas, pilhas, bitucas de cigarro, cabeças de Barbies... o escambal no meio da rua... Povo porco, que finge esquecer que estão sujando o próprio lugar onde vive.

sábado, 1 de novembro de 2008

momento

E estávamos lá, sentados, olhando um para o outro... E eu pensava "Será que é terráqueo?", "Será que se eu tocar, ele vai evaporar e me deixar sem saber o que fazer, com cara de bunda?". E eu ainda pensava "Fala mais, fala mais!", porque, quando ele falava, a sensação de que tudo aquilo não passava de uma alucinação, era bem menor. Mas a voz dele também parecia ser coisa de outro plano, e era tão natural, tão masculina, tão doce. Falava olhando diretamente para mim, não piscava, nada mais tinha importância, e, de repente, ele olhava para qualquer lugar, como se tivesse batido uma timidez que não sabia como disfarçar, nem controlar. E eu também olhava para outro lugar, que não fosse em sua direção (o que era quase que impossível), mas não conseguia fazer por muito tempo, então, olhava para ele, e ele voltava a olhar para mim, calado, a timidez indo embora. E eu pensava "Fala, fala, por favor". Parece que ouvia meus pensamentos, porque, logo em seguida, ele ria, e mostrava a covinha no canto da boca, que o deixava mais distante dos simples terráqueos. Não era uma simples covinha. Sim, era uma simples covinha, mas uma covinha especial. E ele falava do que mais gostava na vida, das coisas que admirava... E eu o achava tão lindo, me contando tudo aquilo. Ele era lindo. Aí, eu não quis mais sequer encostar nele, pra não correr o risco. Mas se eu não o visse nunca mais?
Ele mexia as pernas, e os braços de um jeito... Eu observava tudo. O cabelo bagunçado, os olhos que pareciam ter vida própria, o nariz, os dentes quase pequenos, o sorriso... As caras e bocas que ele fazia para retribuir as minhas caras e bocas, feitas quando ele dizia algo engraçado. Aí, eu perguntei, pela primeira vez desde que o tinha visto: você é daqui? Ele balançou a cabeça que não. E me disse: você também não é daqui, sou do mesmo lugar que você é. Isso não faz diferença para nós. Foi aí que eu entendi e falei: você é um et! Ele falou que poderia ser, se assim eu desejasse. Então ele era um et. O et mais lindo de todos. "Você é meu et", eu disse. "Você também é minha", ele disse. E rimos muito, porque era bom fantasiar tudo aquilo com ele. Não conseguíamos parar de rir. Até que eu propus olharmos um para o outro, e ver quem iria rir primeiro, isso indicaria o perdedor. Quem perdesse viraria humano. Ele me olhou por alguns segundos, calado, como se não quisesse me perder, como se não quisesse ficar só. Eu o olhei por minutos, sem me mover, fiquei minutos sem pensar em mais nada, além de que ele era tão lindo. Tudo nele era. Ele me olhou por horas, muitas horas, sem parar. Me fazia carinho, só de olhar, eu também. E, por vezes, achei que eu era ele, me sentia maravilhosamente bem, ele também deve ter sentido o mesmo. A noite foi passando, o dia clareando e eu comecei a ver um pontinho em sua testa. O pontinho foi aumentando, aumentando ao poucos... quando me dei por conta, aquele pontinho tinha se transformado num sinal, uma bola verde, como num semáforo. E eu sorri, foi só um sorriso. Ele também sorriu para mim, com aquela covinha, e os dentes quase pequenos, o sorriso mais lindo. O ser mais lindo que eu havia visto. Aquele sinal verde e iluminado... Eu era humana, e ele me abduziu.
*
Acordei, sem aquele velho mau humor.