sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

eu me canso das pessoas

Não sei se é bem isso que eu quero dizer. Tbm não sei ao certo se é bem isso que acontece: se realmente me canso das pessoas, ou se canso de mim mesma e conseqüentemente me canso delas.
Às vezes, eu desligo o celular, não atendo telefonemas, não vou até a porta quando me chamam, fico calada, não quero ouvir ninguém reclamando no "pé do meu ouvindo", quero curtir minha chatice sem ninguém ao meu redor. Sei que todo mundo, ou quase todo mundo, tem esse momento de querer ficar só, mas, acho que isso significa “cansar das pessoas”, ou não? No geral, eu tô sempre disposta a escutar e ajudar, sempre que possível. Mas, de uma hora pra outra, simplesmente, me canso. Se uma amiga liga num momento desse, morro de vontade de falar “liga outra hora, hoje não tô a fim de ouvir nada, beleza?”. Quando me dou conta do quê acabei de imaginar, vem o sentimento de culpa, que é super natural, e tipo, me daria chicotadas por pensar aquilo, ou não. Quando minha mãe fala, fala, fala e fala tudo que vem em mente é “PÁRA TUDO, cansei disso, me deixa”. O correto seria não pensar, mas eu não sou correta, e penso (falo, algumas vezes). Eu amo meus amigos e amo minha mãe. Poderia nem estar falando todas essas bobagens, porém, me sinto tão melhor podendo esclarecer o motivo de às vezes eu estar tão abusada de tudo e de todos. Mais uma vez eu digo... Não sei se “cansar” é a palavra certa pra o que eu quero dizer, não sei se é normal cansar de pessoas que se adora. Não vou comparar tudo isso com “é como se cansasse do seu joguinho preferindo” ou “é como se enjoasse da sua comida favorita”, não vou “coisificar” as pessoas, porque não é justo, eu tenho sentimentos. Ainda bem que o que sinto por elas é bem maior que toda essa maluquice.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

um dia de cada vez

Apesar da minha cara de “ah, legal”, quando soube do resultado que tinha passado no vestibular, por dentro, eu ‘tava feliz e saltitante. Finamente ia sair da “barra da saia” da minha mãe. Até então, eu era uma garota bobona (não que ainda não seja), que não sabia fazer as coisas sozinha. Ao mesmo tempo em que achava aquela idéia supimpa e tal, me dava medo pensar que eu ia conhecer pessoas que não do meu antigo colégio, onde passei nove anos estudando. Era um pouco desconfortável imaginar uma rotina diferente. Tinha minhas amizades certinhas, e não tinha vínculo com gente de outro lugar, tudo que fazia tinha relação com o colégio, nem cursinho eu fiz, ou seja, não conhecia pessoas de cursinho. Quando fiz a matrícula na universidade, foi que tremi na base. Tanta gente, saindo de tantos lugares. Aquele local imenso (que hoje já me parece ser bem menor) era meio que assustador. Tinha a idéia de que lá eu ia encontrar adolescentes inconseqüentes, baderneiros, loucos por festa e sacanagem. Hoje vejo que é o que existe, de fato (além de outras coisas), mas o meu pensamento se resumia apenas àquilo. Não fui no primeiro dia de aula. Fui no segundo e quando entrei na sala, me senti um et. Eu pensei “que p* é essa?”, todos conversando alto e gargalhando como se se conhecessem há anos, sendo que se conheciam há um dia, apenas uma tarde foi o suficiente pra se tornarem amigos de infância. Aí, notei que me daria mal, já que a tímida alí era eu.
[...]
Os dois anos seguintes me deixaram confusa, eu não sabia se aquele era meu lugar, e continuava não me entrosando com o pessoal. Foi complicado e chato pra caramba. Me sentia mal quase o tempo todo. Mas, aos poucos, no terceiro ano, a coisa mudou. Me dei uma chance de conhecer as pessoas com quem passava boa parte do meu dia. Foi natural, não forcei. Passei a falar com muita gente e descobri pessoas incríveis, que, conseqüentemente, se tornaram minhas amigas. Percebi que eu 'tava mudada, mais independente e menos "ingênua". Abri meus olhos e vi que a vida não ia até o limite do meu raciocínio, até então, e que as coisas aconteciam loucamente por toda parte. Entendam que o problema não era medo de pessoas, o meu negócio era outro, o problema foi não pensar que eu, simplesmente, estava entrando numa faculdade, o problema foi não ter visto o quanto aquilo tudo era “besteira” e simples, como qualquer outro passo que se dá na vida.
Nem sei por que resolvi escrever tudo isso... Talvez seja por que amanhã começa o fim do último ano letivo, de um curso que me deu tanta dor de cabeça, tantas dúvidas e raiva de mim mesma, por algum tempo. Mas que me presenteou com amigos e momentos inesquecíveis e hilários. Vou continuar reclamando da escolha que fiz... da profissão que escolhi, mas não como antes. Já enxerguei que é um trabalho bonito... necessário, e que tenho capacidade de me dar bem nele. Às vezes é bom ser otimista e pensar que não tem nada melhor que um dia após o outro.
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n shorem

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

sobre ter uma janela

Se eu disser que tô me sentindo meio que isolada aqui, vcs juram que não vão ficar com peninha de mim? Pois é, minha gente... Não precisa ficar, até porque às vezes gosto de ficar isolada mesmo. Quase tudo que eu preciso, no momento, tá comigo (nem tá). Desde que cheguei aqui eu não faço nada, digo, nada fora do comum. Passo praticamente o dia todo dentro do meu quarto... Da TV pra o computador. Ao contrário do meu ex-quarto, o ‘novo’ tem uma janela grandona. O outro não tinha. Já posso dizer aos amiguinhos que tiravam onda do meu quarto sem janela que: agora sim, aqui tem uma de onde dá pra eu ver um monte de mato, árvores, o céu (que tá lindo e super azul agora), a luz do farol piscando das bandas da praia (à noite), até cavalos relinchando e galinhas brigando, às vezes. Ontem deu pra ver um beija-flor, nunca tinha visto um tão de perto, por tanto tempo, e graças à janela, eu vi! Lindo, não é? Da pra ver isso tudo enquanto tô no pc. Ah, e eu posso dormir com ela aberta, porque aqui é bem tranqüilo. Na verdade, ela passa o dia todo aberta, 24 horas, sempre vem um ventinho bom. Vejo quem passa do outro lado da rua. Se alguém vier esconder um defunto por essas bandas, eu vou ver da minha janela. Vou ser testemunha. Pura emoção, hein? De vez em quando, fico parada, olhando pro além, com aquela cara de retardada, sabe? Pensando na morte da bezerra. Pensando em nada. Pensando em tudo ao mesmo tempo e tal. Sem esquecer que faço isso na janela, claaaro. Acho que futuramente, poderei dizer que a janela me fez uma pessoa melhor. Se eu escrever um livro, algum dia, já penso em colocar agradecimentos especiais pra minha janela.
Ta vendo, gente? Um simples buraco no meio da parede pode mudar as coisas. Reflitam, ok?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

mais um clichê

Sabe aquela sensação de absoluta felicidade que acontece, de uma hora pra outra? Vem do nada e vc não sabe o motivo. É uma pena, ou não, que só dura alguns minutos. Semana passada, ouvi alguma coisa do tipo: a gente que escolhe a maneira como vai encarar as coisas que acontecem em nossas vidas, então, muitas vezes, vc pode optar por sofrer ou não. Detesto essas frases que soam como mensagens de “Minutos de Sabedoria”, ou palavras de auto-ajuda ditas por Dalai Lama e tal. Mas matutei nisso. Eu, simplesmente, posso continuar achando que minha vida poderia ser melhor. Que minha timidez ferra comigo. Que tenho que trabalhar, porque “o trabalho edifica o homem”. Que tenho que ser menos impaciente. Que não faço nada interessante e blá, blá, blá. Mas e se eu não quiser pensar assim? Eu posso achar que tudo vai bem. Que tô prestes a me formar, e com 21 anos de idade. Que tenho uma mente sã e que tô em pleno estado de conservação. Simples e fácil. Eu posso escolher entre quase não pensar e pensar demais. Quem não pensa tanto leva a vida com mais facilidade, não enxerga tantos problemas e não se preocupa com o que não vê, ou finge que não vê. Quem pensa muito tem um preço a pagar... Sempre encuca com quase tudo, porque percebe, realmente, que tudo tá uma merda. É aquele negócio “mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira”, já dizia certo cara. Viver achando que o mundo tá sempre azul, as pessoas são lindas e amáveis, nem sempre dá muito certo. Vc acaba pondo uma máscara e andando de um canto pra o outro distribuindo sorrisos de orelha à orelha, mas termina não se sentindo feliz por dentro (que profundo). Sinceramente, sei lá se vale mais a pena fingir viver no país das maravilhas ou enxergar a realidade e aguentar as conseqüências.
To ficando tão sentimental... Parei com isso!